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Uma nova mobilidade para o Centro Expandido do Recife

Imagem mostra uma das sete pontes propostas no projeto. Esta seria ligando a Rua do Riachuelo à Praça da República, no Centro.

No lugar de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, a racionalização do sistema de transporte público, a hierarquização das vias e a continuidade de ruas para ampliar a malha viária. Além disso, a transformação do pedestre em protagonista principal e da bicicleta em modal de transporte imprescindível. Essa é a proposta para melhorar – e talvez solucionar – a mobilidade no centro expandido do Recife, área considerada como o pulmão viário e comercial da cidade, entre a Avenida Agamenon Magalhães e o Bairro do Recife. A ideia é desenvolvida pelo escritório Cesar Barros Arquitetura e tem como eixo principal a racionalização das linhas de ônibus que hoje convergem para o Centro. Atualmente, nada menos que 472 linhas trafegam em apenas seis importantes vias do centro expandido. Na proposta dos arquitetos, os dois principais corredores da área, as Avenidas Agamenon Magalhães e Conde da Boa Vista, passariam a ter apenas uma linha expressa cada um, alimentadas por várias outras linhas.

Nova Avenida Conde da Boa Vista. Mais calçadas e espaço para o ônibus. Carros em segundo plano.

A ideia dos arquitetos não é reduzir a quantidade de ônibus. Ao contrário. É hierarquizar as vias, definindo-as como corredores expressos, vias alimentadoras e coletoras. Por essas duas últimas circulariam mais linhas do que nas expressas. As duas linhas expressas que trafegariam pela Agamenon Magalhães e Conde da Boa Vista teriam diversos veículos articulados e biarticulados. Esses ônibus seriam alimentados em estações localizadas em pontos estratégicos, como a Praça do Derby, o Terminal Integrado Joana Bezerra, o entroncamento da Avenida Norte com a Agamenon Magalhães, o Parque 13 de Maio e a Estação Recife do metrô. “Não precisamos de viadutos sobre a Agamenon Magalhães, que custarão muito caro e não resolverão o problema da mobilidade. Ao contrário, vão apenas sobrecarregar as outras vias. Precisamos do planejamento do transporte público, que não existe, da continuidade do sistema viário e da socialização dos espaços, dando vez aos pedestres, às bicicletas e restringindo o acesso do carro em algumas vias”, explica Cesar Barros.

Ponte protesto: proposta seria construí-la entre a Avenida Mário Melo e o Bairro do Recife, na altura do TRF (5ª Região).

Para justificar o que diz, o arquiteto trabalha com números. “Somente na Conde da Boa Vista passam 89 linhas de ônibus. Na Avenida Guararapes são 130 e na Rua da Aurora, 86. Enquanto esses corredores vivem abarrotados de coletivos, temos vácuos de vias sem qualquer oferta de transporte, como é o caso da Avenida Mário Melo (Santo Amaro). Você tem uma grande quantidade de ônibus na Conde da Boa Vista e nas duas ruas paralelas – a Rua do Príncipe, 38 linhas, e Avenida Visconde de Suassuna com 34 linhas. Mas de lá até a Avenida Norte, não há nada. Isso precisa mudar”, argumenta.

Em paralelo à racionalização do transporte público, o grupo de arquitetos sugere a adoção da integração temporal das tarifas, como ocorre em São Paulo (um único bilhete permite que o passageiro use vários coletivos no período de duas horas, independentemente de passar por terminais de integração), e a construção de 7 pontes e 7 pontilhões para integrar o sistema viário, facilitando os deslocamentos de carros e bicicletas. “Hoje você tem inúmeras vias sem continuidade que poderiam dar acesso ao centro expandido e facilitar a circulação dentro dele. Como exemplos cito a construção de um pontilhão sobre o canal da Agamenon Magalhães ligando a Rua Amélia, nas Graças, à Avenida Mário Melo e de uma ponte sobre o Capibaribe para ligar a Rua do Riachuelo à Praça da República. Ela ficaria paralela à Ponte Princesa Isabel”, cita Cesar Barros.

O custo do projeto, segundo cálculos do escritório de arquitetura, sairia por R$ 170 milhões, incluindo pequenas desapropriações para a integração do sistema viário e implantação de novas vias. O total representa quase o mesmo investimento que o governo do Estado divulgou para construir os quatro viadutos sobre a Agamenon Magalhães, estimado entre R$ 180 milhões e 200 milhões.

Fonte: Blog De Olho no Trânsito