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Gratuidade

No Brasil se pratica uma política social ao avesso quando se elege os usuários do transporte coletivo para pagar a conta da gratuidade concedida a diversos setores da sociedade. Não se quer discutir, agora, os méritos de tais gratuidades, mas direcionar para um único segmento da sociedade a responsabilidade de arcar com os benefícios conferidos é uma política não apenas conservadora, mas claramente injusta e distorcida. A questão é agravada por se saber que os usuários do transporte público são, sem dúvida, os menos indicados para receber e quitar essas contas.

Só com a gratuidade, caso a fatura fosse enviada a outro endereço, a tarifa poderia ser reduzida em 17%. Acrescente-se a isto os benefícios concedidos aos estudantes que, se financiado por outra fonte, reduziria a passagem em mais 8%.

Na formação dos custos das passagens de transporte por ônibus, além do peso das gratuidades, revela-se o incontido apetite dos governos cujos tributos federais, estaduais e municipais contribuem com 30% na formação dos preços das tarifas.

O setor ainda enfrentou nos últimos seis anos (pesquisa de 2001- 2007), conforme dados do IBGE, uma forte elevação dos seus insumos básicos, pois enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 57%, o óleo diesel aumentou 140%, os pneus 100% e os ônibus 120%.

Esse quadro é ainda mais afrontoso quando se sabe que 30% da população andam a pé, simplesmente porque não podem arcar com os preços das passagens. Embora tarde, já é hora, especialmente quando o atraente discurso da mobilidade urbana entra em cena, retirar-se dessa mesma cena a figura do usuário como o de pagador das benesses.