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Setor de transporte coletivo discute concorrência com serviços por app e aponta soluções

Apontados como um dos motivos para a diminuição no número de passageiros nos ônibus, os serviços de deslocamento de pessoas por aplicativo são um desafio, mas podem ser uma solução para o transporte coletivo no Brasil. A experiência do City Bus 2.0, o primeiro transporte público coletivo por app da América Latina, que funciona desde fevereiro deste ano em Goiânia (GO), foi apresentado, nesta quinta-feira (22), pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), como exemplo de inovação a empresários do setor, incluindo representantes do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE).

O conceito de passageiro como cliente do transporte coletivo é o que norteia o trabalho do City Bus 2.0, primeiro serviço desse tipo em operação comercial na América Latina. Operado pela HP Transportes, segunda maior concessionária de ônibus da Rede Metropolitana de Goiânia, o City Bus 2.0 atua em 18 bairros da capital goiana, em um raio de 40 quilômetros quadrados, atendendo cerca de 340 mil pessoas. Pesquisa interna realizada com os clientes do serviço indicou que 73% migrou de modos individuais de transporte.

Funcionamento

O usuário informa o ponto inicial e o destino pelo aplicativo, como no Uber, e a informação é enviada para o motorista. Daí é só esperar pelo veículo. O pagamento pode ser feito via cartão de crédito ou dinheiro. Ele conta com 29 vans equipadas com assentos confortáveis, ar condicionado, tomada e carregadores USB para celulares, portas automatizadas e três câmeras internas de segurança.

Os miniônibus funcionam das 6h às 23h, de segunda a sábado. Sua tarifa é flexível, variável por distância, que inicia no valor de R$ 2,50 pouco mais da metade do preço (R$ 4,30) cobrado nos ônibus da Grande Goiânia. O tempo médio de atendimento da solicitação da viagem até o embarque está em 9,5 minutos.

Implantação em Pernambuco

Avaliado positivamente pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Pernambuco (Urbana-PE), o City Bus 2.0 teria alguns empecilhos para ser implantado no Estado. O diretor da empresa Pedrosa e Conselheiro de Inovação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Marcelo Bandeira, explica que no contrato das concessionárias que operam no Grande Recife não há nada que impeça a implantação de um serviço sem rota fixa semelhante ao da capital goiana, contudo não há também uma regulamentação detalhada para evitar brechas e problemas futuros.

“O City Bus 2.0 é um projeto ainda na fase de maturação, mas que vem tendo um bom desempenho e sendo bem aceito pela população, pois oferece mais conforto e flexibilidade ao passageiro que já trocou o transporte público coletivo pelo transporte individual, ou está pensando nessa alternativa. Acredito que em Pernambuco o serviço também seria bem aceito, mas diferentemente de Goiânia, que apenas um consórcio gere o sistema, aqui no Estado já temos dois consórcios em operação (Conorte e Mobibrasil) e outros cinco lotes em licitação. Então, teríamos que avaliar como faríamos para um não invadir a área do outro”, explicou Bandeira.

Além disso, ele diz que precisaria ser definido como e quem faria o cálculo da tarifa. “Estamos estudando a possibilidade de oferecer algum serviço semelhante, mas temos algumas barreiras a serem superadas. Como a empresa seria penalizada se cometesse alguma irregularidade, por exemplo? Também tem toda análise de viabilidade econômica e financeira que precisa ser feita”, falou. Diariamente são 2,7 mil ônibus circulando no sistema público de transporte no Grande Recife, em 402 linhas, realizando 25 mil viagens para atender 1 milhão e 800 mil passageiros.

Desde o seu lançamento, em 11 de fevereiro, o City Bus 2.0 já registrou 38 mil clientes cadastrados nas plataformas iOS e Android, um crescimento total de 177%. Outro ponto positivo é o índice de viagens agregadas, as viagens com mais de um passageiro. Essas corridas tiveram aumento de 56%, o que reforça a proposta inicial do serviço, que é a de incentivar as pessoas que fazem o uso do transporte individual a aderirem ao modo coletivo; contribuindo, assim, para a redução do número de carros em circulação na região onde o CityBus 2.0 opera.

Foto: Samuel Santos/Divulgação

Fontes: Portal FolhaPE e Portal Diario de Pernambuco (editado)