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Rainhas do trânsito

Tatiana Carla Gomes dos Santos e Tatyana Lapa. Duas mulheres com nomes quase idênticos, mas que compartilham duas coisas: são pernambucanas e motoristas. Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, então é importante conhecer as histórias dessas figuras que dominam uma área que muitos ainda insistem em achar que é “coisa de homem”.

Com 38 anos, Tatiana Carla Gomes dos Santos dirige o BRT da linha 2490 – TI Camaragibe/TI Macaxeira, sob regência da empresa de ônibus Mobibrasil. É uma das poucas mulheres motoristas no transporte público de Recife.

Tatiana dá expediente nas horas finais do serviço de BRT: “Tem dia que eu pego às 13h37 e largo às 23h05, outros eu chego às 15h13 e vou até o fechamento do sistema (meia-noite)”.

“Antes eu era cobradora. Como acabou a função na linha, tirei a carteira (tipo D, que dá aptidão para dirigir veículos de grande porte), fui aproveitada pela empresa”, conta Tatiana, que antes de ser do ramo do transporte público, onde está há, pelo menos, cinco anos, já foi vendedora de loja, agente de saúde e até dançarina de uma banda de brega, participando da gravação de dois DVDs. Sobre essa questão, ela frisa: “Hoje sou outra pessoa” – ela se tornou evangélica.

Tatiana conta que já vivenciou situações de machismo no trabalho. E o pior: vindo de outra mulher: “Ela falou pra mim que mulher só serve pra lavar prato. Aí um passageiro me defendeu dizendo que a outra tava com inveja por eu ser bonita e dirigir bem”, conta, aos risos. “Não adianta se estressar. Geralmente, (quem faz isso) é gente frustrada pra descontar nos outros. Mas aí a gente ora por ela e tudo melhora”, disse.

Situação tá difícil? Parte pra outra

Já Tatyana Lapa tem 45 anos. Moradora de Boa Viagem, é dona de uma agência de turismo. Resolveu virar motorista com a chegada das dificuldades. “Muitas operadoras e agências de turismo fecharam entre 2015 e 2016. Entrei pro Uber para ajudar a complementar a renda. No geral, o setor de turismo está com uma situação (financeira) bem ruim”.

Tatyana conta que recebe muitos elogios, tanto por dirigir bem quanto por ser mulher ao volante. “Tem passageiro que gosta de andar comigo”. Mas já sentiu o peso do preconceito em muitos momentos. “Um rapaz, que hoje é meu amigo, admitiu que uma vez cancelou a corrida quando viu que era uma motorista mulher. O detalhe é que ele estava no Parque da Jaqueira (Zona Norte do Recife) e achava que eu não seria capaz de buscá-lo”, desabafa. Assim como a outra personagem, Tatyana também ouviu comentários negativos vindos de outra mulher: “Uma passageira extremamente grosseira ficava toda hora falando ‘quero ver se sabe dirigir sendo mulher, vamos ver no que dá’”.

Agora, apesar desses contratempos, o saldo é positivo pra Tatyana. Um dos melhores momentos como motorista de Uber, para ela, foi a primeira corrida: “Fui levar uma senhora deficiente que morava em Jardim Brasil I, em Olinda, para Jaboatão Velho, em Jaboatão dos Guararapes”. Para ela, as corridas com Uber a ajudaram a abrir mais a mente. “Ela já devia ter seus 70, 80 anos. Ficou muito agradecida por eu ter ido lá, que é um local de difícil acesso”, diz.

Por fim, Tatyana conta o caso mais esquisito que passou: “Uma vez peguei um passageiro que tinha acabado de discutir com sua esposa. Quando estávamos andando, percebi que estava sendo seguida pela mulher. Quando parei perto de uma escola, ela começou a dar um escândalo dizendo que eu era amante dele”. Como não gosta de briga, pediu para encerrar a corrida. “Expliquei para o cliente que não queria confusão. Só sei que depois que ele desceu num hipermercado, conversou com a mulher e ficou tudo certo”, encerrou.

Fonte: Portal JC Trânsito (Editado)