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R$ 1,2 bilhão para o Recife andar

A Região Metropolitana da capital pernambucana sofre com a falta de mobilidade. Para resolver o problema, o governo de Pernambuco lança pacote de obras que contam com recursos do PAC Copa

Pernambuco atingiu, no final de agosto, a marca de dois milhões de veículos emplacados, 70% deles concentradas na Região Metropolitana do Recife (RMR). É a segunda maior frota do Nordeste, atrás apenas da baiana, que já atinge a marca de 2,5 milhões de veículos. Há algum tempo, o Grande Recife sofre as conseqüências deste que é um dos reflexos da multiplicação do poder aquisitivo da população. Adquirido com a função de tornar os deslocamentos mais fáceis ou confortáveis, o carro particular se vê preso à sua própria condição de ocupar, cada vez mais, espaço num lugar onde espaço está cada vez mais raro. Como resultado, a cidade literalmente para nos horários de pico, com suas principais ruas e avenidas sendo tomadas por veículos que se deslocam tão lentamente que, uma caminhada a pé, muitas vezes, é mais rápida.

E os engarrafamentos tendem a piorar, se nada for feito. Para tentar reverter esse quadro caótico, o Governo de Pernambuco apresentou o Programa Estadual de Mobilidade Urbana (Promob), que abarca a cifra de R$ 1,2 bilhão e prevê obras que representam um grande desafio logístico e operacional para serem executadas, mas que prometem desentupir as artérias da RMR. A área, de 2,8 mil quilômetros quadrados, engloba 14 municípios, onde vivem cerca de 3,7 milhões de habitantes (IBGE, 2010). É a maior metrópole do Nordeste e a quinta maior do Brasil. “O programa visa, sobretudo, a uma mudança de cultura. Durante muitos anos, vivemos a cultura do transporte individual; hoje, a solução para a mobilidade das cidades passa por pensar no coletivo”, explica Danilo Cabral, secretário das Cidades do Governo de Pernambuco, responsável pelo programa.

E pensar no coletivo significa propriamente pensar em novos paradigmas para o transporte integrado de passageiros. A meta é bastante ambiciosa: dobrar o número de pessoas que utilizam o ônibus como principal meio de transporte até 2014, passando dos atuais 800 mil para 1,6 milhão de usuários por mês. “A ideia é convencer o maior número possível de proprietários de automóveis a deixar o veículo em casa, durante a semana, e utilizá-lo mais para atividades de lazer ou viagens, nos fins de semana”, diz Danilo Cabral.

O governo pretende investir R$ 76 milhões na construção, reforma e ampliação dos Terminais Integrados de Passageiros, implantando um novo modelo de transporte coletivo urbano, que tem como principais novidades a utilização das estações de transbordo em substituição às paradas de ônibus e o uso de tecnologia para o monitoramento das viagens. Serão implantados corredores exclusivos para ônibus articulados – TRO (Transporte Rádio por Ônibus), onde o pagamento de tarifas é feito antes do embarque. O modelo já é bastante conhecido em Curitiba, onde foi criado na década de 80.

Os veículos desse sistema contarão com ar-condicionado, câmeras de segurança, acessibilidade para portadores de deficiência e GPS. A velocidade operacional será superior a 20 km/h e uma Central de Controle Operacional (CCO) acompanhará o deslocamento de cada ônibus, ditando o rumo de operação do sistema. Se for preciso liberar mais ônibus para uma determinada linha, num momento de pico inesperado, isto será feito praticamente em tempo real. O usuário, por sua vez, poderá solicitar, através do celular, mensagens de texto que informarão quanto tempo o ônibus levará para chegar até o ponto de embarque. Será criado também um fundo de manutenção para os terminais, com um capital inicial de R$ 4 milhões.

Fonte: Revista Construir NE – Outubro/2011



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