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Prioridade antes da tecnologia

TRANSPORTE Usuários dizem que governo precisa estruturar terminais de ônibus em vez de se preocupar com equipamentos eletrônicos

O Sistema de Transporte Público que promete, para o início de 2012, inovações tecnológicas, como informar ao usuário por celular o horário dos coletivos com precisão, é o mesmo sistema que ainda tropeça na tarefa de cuidar da estrutura física dos terminais integrados, miniterminais e abrigos que servem como pontos de ônibus. Falhas na manutenção básica que impõem dificuldades diárias tanto aos passageiros, quanto aos motoristas, cobradores e fiscais que operam na Região Metropolitana do Recife.

Dos 81 miniterminais do Consórcio Grande Recife, dezenas estão em estado precário. O espaço interno para os operadores é mínimo. Em alguns casos, quase inexistente. Na hora das refeições, motoristas e cobradores não têm alternativa. São obrigados a comer dentro dos carros. “Isso já foi construído de forma errada. Não tem a mínima condição. Pela manhã, são 16 pessoas aqui dentro”, disse um dos operadores que trabalha no terminal da linha San Martin/Largo da Paz, Zona Oeste do Recife, espremido numa área que não chega a dois metros quadrados. Ele pediu anonimato, com receio de sofrer alguma represália.

O terminal onde operam as linhas Torre/Rui Barbosa e Torre/Beira-Rio chama a atenção pelo improviso. Localizado na Avenida Nossa Senhora da Saúde, na Iputinga, também na Zona Oeste, ele funciona dentro de um barraca posicionada na calçada. De longe, parece mais um fiteiro. “É um banheiro para 48 pessoas, sem isso de homens e mulheres”, reclamou uma operadora, também na condição do sigilo.

A degradação não é exclusividade dos operadores. Recai também sobre os cerca de 2 milhões de usuários que necessitam do sistema todo dia. No Terminal Integrado da Joana Bezerra, um dos 13 geridos pelo Consórcio Grande Recife, o lixo é abundante. Quem desembarcar na estação do metrô pela primeira vez e descer a rampa em direção ao ponto de ônibus terá uma enorme dificuldade em saber qual o local exato que atende cada linha. “É muita desorganização. Aqui é muito pequeno para a quantidade de gente. E não tem nem banheiro, o que é um absurdo”, reclamou a universitária Isabel Cordeiro, 21, uma das 70 mil pessoas que passam pelo local diariamente.

Fora dos terminais, a infraestrutura também desanima. Ontem, um ponto de ônibus na PE-05 exibia os destroços do que um dia já serviu de bancos de cimento aos usuários. A grade de proteção também está danificada. Em Camaragibe, na Avenida Doutor Belmino Correia, próximo à prefeitura, quem recorre ao abrigo para fugir da chuva ou amenizar o calor não tem muito sucesso por causa de um buraco no teto.

O Grande Recife afirmou, por meio da assessoria, que será feita a requalificação das paradas durante a instalação da central de monitoramento. Sobre os terminais integrados e miniterminais, assegurou que o modelo prevê a criação de 39 cargos de gestores e gerentes, o que vai melhorar a infraestrutura.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Urbana-PE), Luiz Fernando Bandeira, informou que 90% da frota, constituída por cerca de três mil veículos, já é equipada com GPS. Ele acredita que até março, como prevê o governo, será possível informar o horário das viagens por celular ao passageiro. “Cada empresa já tinha sua central de monitoramento. Agora, uma só central vai tratar os dados”, afirmou.

Fonte: Jornal do Commercio – Caderno Cidades