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PCR admite mudança na Conde da Boa Vista

URBANISMO Prefeito informou, durante entrevistas a rádios, que vai realizar pesquisas para saber sobre eficiência do Corredor Leste-Oeste, em funcionamento há mais de 3 anos

Três anos e quatro meses depois de criado, o polêmico Corredor Leste-Oeste, que liga a Zona Oeste do Recife ao Centro, será revisto no trecho da Avenida Conde da Boa Vista. A decisão foi divulgada pelo prefeito João da Costa em duas entrevistas concedidas em programas de rádios anteontem e na semana passada. O prefeito afirmou que irá realizar pesquisas para saber a real eficiência do Leste-Oeste, que gera polêmica desde que entrou em funcionamento, em março de 2008. Embora tenha recebido a aprovação de técnicos por ser um dos poucos equipamentos da cidade projetado para dar prioridade ao transporte público na eterna briga por espaço com o automóvel, o corredor apresentou falhas desde a sua criação, passou por diversos ajustes, mas até hoje tem problemas e é duramente criticado pela população.

“Vamos fazer um estudo para saber se a intervenção é correta, ouvindo a opinião dos passageiros, pedestres e comerciantes. O corredor prioriza o transporte, mas depois de três anos é preciso ter uma avaliação para ver se está dando certo”, afirmou em entrevista na Rádio JC CBN/Recife, anteontem. Na quinta-feira passada, durante debate na Rádio Jornal, o prefeito deu a entender que, quando implantado, o Leste-Oeste não era consenso nem mesmo na gestão municipal, da qual já fazia parte como secretário de Planejamento. “Na época (quando o prefeito era João Paulo) fui voto vencido na prefeitura. A maioria da equipe decidiu fazer a intervenção daquele jeito, embora eu fosse contra”, afirmou. Ontem, João da Costa não quis falar com o JC. A assessoria de imprensa poupou o prefeito, jogando o assunto para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que por sua vez repassou para a de Serviços Públicos. No fim do dia, nenhum retorno havia sido dado à reportagem.

O Leste-Oeste está tão associado a polêmicas, especialmente o trecho da Avenida Conde da Boa Vista, que nem mesmo o setor empresarial se dispôs a falar sobre o assunto. Procurado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) desconversou. O argumento da assessoria de imprensa era de que o presidente, Fernando Bandeira, estava viajando e que o coordenador de projetos, João Braga, não tinha elementos para se pronunciar. Mas tanta resistência por parte de quem deveria se posicionar tem explicação. A degradação do corredor, os erros de planejamento e operação terminaram por se sobrepor aos benefícios conquistados.

Alguns deles são a redução do número de linhas e veículos que trafegavam pela Conde da Boa Vista, a requalificação das calçadas para os pedestres, que antes sequer existiam, o ganho de pelo menos 12 minutos no tempo de viagem de algumas linhas de ônibus e a queda de mais de 30% nas perdas das viagens. Quem hoje circula pela Conde da Boa Vista se impressiona com o estado de conservação em que se encontra o corredor. Passageiros e pessoas que trabalham na via reclamam da sujeira das paradas, constantemente quebradas e repletas de ambulantes. Piso e teto das estações estão danificados. Elas também são estreitas e, em época de chuva, viram um rio. As unidades servem até de depósito para carroças e dormitório para mendigos. O cheiro de urina predomina e incomoda.

TÉCNICOS - Na ausência de quem deveria falar, coube aos técnicos em transporte fazer as ponderações sobre o valor do corredor. “O Leste-Oeste tem problemas de planejamento e passou por muitos ajustes que deveriam ter sido feitos antes do início da operação. Isso é fato e o transformou numa obra maldita, sem pai nem mãe. A falta de manutenção também piora tudo. Mas a concepção do corredor é importante e tem que ser mantida. É a prioridade ao transporte público. Tanta resistência a ele existe porque o automóvel perdeu espaço para o ônibus e isso incomoda a sociedade”, defendeu o consultor Germano Travassos. Para o consultor, o prefeito deveria, inclusive, implantar uma política pública de incentivo ao transporte na cidade. “Algo urgente para ser feito é reativar a faixa exclusiva de ônibus que existia na Avenida Herculano Bandeira, no Pina, e foi desativada pela prefeitura há anos. Essa seria uma medida de quem prioriza o transporte público”, exemplificou.

César Cavalcanti, da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), foi mais além. “O que nos tememos é que, com a intenção de rever o projeto, a prefeitura regrida e reduza o espaço viário do ônibus em detrimento do carro. Isso não pode acontecer de forma alguma. Ajustes até devem ser feitos, mas os ônibus têm que continuar tendo prioridade”, afirmou. O Grande Recife Consórcio de Transporte também saiu em defesa do corredor. “Sabemos que ele necessita de mais ajustes, mas é positivo e não podemos voltar no tempo”, defendeu a diretora de operações do órgão, Taciana Ferreira. O Leste-Oeste recebe hoje 90 linhas, operadas por 497 veículos, que realizam 4.300 viagens.

Alteração em ônibus na Agamenon

Treze linhas de ônibus terão o itinerário modificado a partir do próximo sábado por causa das alterações no trânsito da Avenida Agamenon Magalhães, anunciadas pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) como estratégia para tentar reduzir engarrafamentos em uma das principais vias da capital.

Deste total, cinco linhas mudarão as rotas após o fechamento de duas agulhas (acessos entre a via principal e a via local) localizadas em frente ao Clube Português, nas Graças, Zona Norte do Recife. Outras oito terão o caminho alterado devido ao bloqueio do acesso em frente ao Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central da cidade.

Os ônibus que antes trafegavam pela Rua São Salvador, no Espinheiro, Zona Norte, agora devem passar pela Rua 48, no mesmo bairro, para chegar à Agamenon Magalhães. A parada em frente ao Clube Português, que era atendida por essas linhas, será removida. Em substituição, haverá um novo ponto de ônibus em frente ao nº 1160 (próximo à Embratel).

Já os coletivos que vêm da Rua Dom Bosco, na Boa Vista, vão deixar de entrar na pista local pelo acesso que fica em frente ao HR, não mais parando na pista local em frente ao hospital. Após a alteração, o acesso à via pela avenida só será possível pela agulha em frente à concessionária Toyolex.

As linhas que terão as rotas modificadas serão as seguintes: Cajueiro (Via Derby), Dois Unidos/Derby, Alto Santa Terezinha/Derby, Caixa D’Água/Derby, Aguazinha/Joana Bezerra, Conjunto Beira Mar/Derby, Curado II, Curado II (Bacurau), Curado IV – R.14, Curado IV – Av. 01, Torrões e Cidade Universitária.

Fonte: Jornal do Commercio – Caderno Cidades