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Ônibus acessíveis: transporte mais digno para os recifenses

O Brasil é um país que tinha 14,5% da população com alguma deficiência visual, auditiva, motora ou mental no ano 2000. O número de idosos, que era de 6,4 milhões, chegou a quase 10 milhões em 2010. Foram quantitativos como esses, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que impulsionaram a discussão de medidas para melhorar a acessibilidade dos brasileiros a partir da última década, o que inclui o transporte público de passageiros.

Em dezembro de 2004, foi publicado decreto que estabelece critérios para facilitar o deslocamento de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência ou com mobilidade reduzida (gestantes, mães com criança de colo, idosos, pessoas com baixa visão). A partir daí, coube ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) criar novas regras de acessibilidade nos veículos coletivos, que foram publicadas já em 2006, com projetos de emendas em 2008 e 2009. Pelas determinações, 100% da frota devem estar dentro dos padrões de acessibilidade até 2013.

No Grande Recife, os primeiros ônibus acessíveis passaram a circular entre 2005 e 2006. Os padrões da época, antes das considerações adicionais ao decreto, fizeram com que chegassem às ruas veículos que hoje já não atendem completamente aos requisitos instituídos pelo Inmetro e pela ABNT. Desde 2010, entretanto, todos os ônibus que complementaram a frota da região metropolitana já vieram atendendo às novas determinações.

O principal critério que define se um ônibus é acessível ou não, sem dúvida, é a possibilidade do embarque de cadeirantes. Os veículos, em geral, devem ter piso rebaixado na região da porta de acesso para pessoas que se deslocam através de cadeira de rodas. No caso de ônibus com piso elevado (como os do Recife), os veículos devem ser dotados de um elevador. Dentro do coletivo, é obrigatória a disponibilização de espaço para a acomodação de pelo menos uma cadeira de rodas ou para um cão-guia, no caso de deficientes visuais. O local deve ser devidamente sinalizado, conter cintos de segurança, um assento reversível e uma estrutura metálica conhecida como “guarda-corpo”, que garante maior estabilidade da cadeira de rodas durante a movimentação do veículo.

Crédito: Blog Meu Transporte

Há ainda outros critérios estabelecidos para legitimar um coletivo como acessível que nem sempre são percebidos pela população usuária do transporte público. As cores vivas, por exemplo, são fundamentais para efeitos de sinalização. Não é à toa que, dentro das novas regras, o amarelo-limão é a cor obrigatória dos balaústres (também conhecidos como “pega-mão”, espécies de colunas circulares que se estendem por todo o salão dos passageiros através do teto do ônibus), o que facilita o deslocamento de pessoas com níveis de visão baixos. Antes, cada empresa de viação adotava o padrão de cores interno do veículo de acordo com sua identidade visual.

Crédito: Site Sensibiliza

Os letreiros eletrônicos instalados na parte frontal dos ônibus também sofreram intervenções das normas atualmente em vigor. As letras devem ter 150 milímetros de altura, evitando-se o encolhimento, e devem ser brancas ou no tom amarelo-âmbar em fundo preto. A determinação é para fazer com que os painéis sejam enxergados mais facilmente a longa distância e não sofram interferência da incandescência solar.

Ainda no que se refere às cores, os adesivos colados interna e externamente aos veículos coletivos também são cruciais para melhorar a acessibilidade. O Símbolo Internacional de Acesso (SIA), por exemplo, deve ser branco em fundo azul escuro e anexado em locais específicos da lataria do ônibus, contemplando a visualização por parte de outros motoristas. No ambiente interno, a indicação de locais reservados para deficientes físicos, gestantes, pessoas com criança de colo e idosos precisa ser sinalizada nos mesmos padrões de cores do SIA e deve estar próxima a assentos preferenciais. Aliás, por falar nas cadeiras reservadas, todo ônibus deve conter pelo menos duas, sinalizadas em amarelo.

Os dispositivos táteis também compõem a lista de elementos que têm de estar presentes em um ônibus acessível. Os já citados balaústres, além de serem amarelos, devem sinalizar que um local específico do veículo é destinado a pessoas com necessidades especiais. É por isso que os “pega-mão” de assentos preferenciais, por exemplo, devem ser fabricados com material diferenciado e que possibilite essa identificação. Os botões de solicitação de parada também devem ser dotados dessa facilidade, além de conterem um símbolo universal, que auxilia a assimilação por parte de pessoas analfabetas.

No Recife, as empresas de ônibus já têm se adequado às novas regras. Diante de uma população crescente de pessoas com mobilidade comprometida, o cumprimento das normas acrescentou “humanidade” ao transporte público, tudo em busca de oferecer um serviço cada vez melhor. Até 2014, a expectativa é que todos os veículos coletivos da região metropolitana já estejam completamente acessíveis a pessoas com limitações de locomoção, o que, aliado ao evento da Copa, trará mais conforto e dignidade à população local e aos turistas que chegarem para o Mundial.

Crédito: Fortalbus