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Novo modelo estimula a urbanização

 

Publicado pelo Jornal do Commercio – Cidades, 22/11/2009

Para se adequar a um transporte de primeiro mundo, algumas cidades do Grande Recife serão obrigadas a ordenar e incentivar o crescimento urbano. Caso contrário, pagarão um preço alto. Terão eficiência em transporte, mas estarão de costas para o desenvolvimento proporcionado por ela. Ao importar o modelo curitibano de mobilidade, deverão copiar também a experiência em planejamento urbano da cidade. Esse é o tema do último dia da série sobre o transporte do futuro.

O novo modelo de transporte de primeiro mundo, que Pernambuco ensaia importar de Curitiba, no Paraná, não representa apenas um corredor de ônibus eficiente, rápido e confortável. É mais do que isso. É a oportunidade de as cidades da Região Metropolitana do Recife induzirem e, principalmente, disciplinarem o crescimento das áreas cortadas por ele, promovendo uma urbanização que resulte no ordenamento dos seis municípios envolvidos na proposta.

Dos 45 quilômetros que o futuro eixo terá, 27 quilômetros beiram a favelização. Se o Corredor Norte-Sul virar realidade, o Grande Recife terá a chance de não repetir erros como os cometidos com o metrô, erguido em áreas onde o potencial de infraestrutura de transporte ainda é ignorado.

O alerta é dos técnicos curitibanos que estão elaborando o projeto do Norte-Sul. Com exceção dos trechos Sul, que compreende o município de Jaboatão dos Guararapes e a Zona Sul do Recife, e parte do Central, na capital pernambucana, o restante do futuro corredor tem áreas sem qualquer desenvolvimento, de olhos fechados ao potencial que irá se projetar no local.

Nem mesmo o corredor exclusivo que já existe, composto pela triplicação da rodovia PE-15 e parte da BR-101, até Igarassu, provocou uma revolução na área. Quando não existem favelas erguidas na faixa de domínio das vias, as moradias são de classe baixa ou, no máximo, pequenos comércios, alheios às regras de ordenamento urbano. É uma bagunça institucionalizada.

“O transporte de massa com qualidade deve fazer parte de um contexto para estimular o crescimento dos espaços. No caso do eixo Norte do futuro corredor, por exemplo, há muitas áreas vazias, que deveriam ser ocupadas por empreendimentos que gerem emprego e moradias”, ensina o arquiteto e urbanista Carlos Ceneviva, do Instituto Jaime Lerner Arquitetos Associados e coordenador do projeto do Corredor Norte-Sul.

Motivos não faltam para a advertência. Além do trecho Sul, que não tem mais como se desenvolver devido ao alto densamento urbano, e do município de Abreu e Lima (no trecho Norte), cujo centro é cortado pelo corredor do bairro de Santo Amaro, na área central do Recife, até Igarassu, no fim do eixo Norte, há muito o que ser estimulado. As margens da Avenida Agamenon Magalhães, por exemplo, abrigam algumas das maiores favelas da cidade.

Em Olinda, o improviso do comércio e das ocupações clandestinas predomina. Com exceção de um supermercado e uma faculdade, o resto são pequenos empreendimentos. O mesmo cenário se prolonga por Paulista e Igarassu.

“O momento é de fazer uma urbanização com U maiúsculo. Nas cidades onde houve investimentos do tipo o impacto foi sentido no entorno dos corredores. O Transmilênio, em Bogotá, na Colômbia, é um exemplo. As calçadas foram refeitas e os espaços livres, urbanizados. Não podemos é deixar que haja briga política entre os prefeitos, já que o corredor cortará seis municípios, cada um com suas convicções”, alerta César Cavalcanti, da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

ORDEM URBANA

Em Curitiba o transporte virou o propulsor do ordenamento urbano. Em nenhum momento a cidade deu as costas para os eixos da rede. Foram construídas as vias centrais, com a canaleta para a circulação exclusiva das linhas expressas, e duas vias lentas para acesso às atividades lindeiras, como serviços e comércio. Essas áreas foram batizadas de setores estruturais. Ao lado, os curitibanos criaram as vias estruturais, que são duas avenidas paralelas à via central, destinadas às ligações centro-bairro e bairro-centro. São voltadas para a circulação dos veículos privados. É o chamado sistema trinário.

Às margens dos eixos houve um estímulo para construção de edifícios e imóveis voltados à prestação de serviços. A altura dos imóveis vai sendo reduzida à medida que se distanciam dos corredores.

Por aqui, a situação é bem diferente. As prefeituras dos municípios ainda estão perdidas. Fazem planos, mas não definiram regras porque o projeto ainda está no papel.



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