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Mobilidade Urbana

Publicado no Diario de Pernambuco – Editorial, 11/11/2009

Chegou o momento de se promover, em volta de uma mesa, o encontro dos melhores cérebros para que possam, juntos, idealizar duas ou mais opções no que se refere ao transporte coletivo.

O Recife precisa de uma infraestrutura de transporte coletivo que corresponda ao seu crescimento urbano e ao seu prestígio de metrópole regional, que se alicerçou, no correr dos séculos, em formidável espaço geográfico. Ainda bem que se deu fim, em dias recentes, à pretensão de que se imbuíram algumas desavisadas pessoas de encher as ruas da cidade de centenas, senão milhares, de micro veículos de transporte do tipo van e kombi, veículos que iriam, na realidade, cooperar para que o trânsito da capital pernambucana se conturbasse ainda mais. A retirada foi uma medida salutar, resguardando os recifenses dos perigos a que estavam expostos, em face das precárias condições do transporte de passageiros feito naqueles veículos, que atrapalhavam, de forma grave, a almejada fluidez do trânsito.

Entretanto, faz pouco tempo, o Diario voltou, em ampla reportagem, a se referir ao cada vez mais embaralhado trânsito recifense, sobretudo porque está a aumentar, de maneira desmesurada, o número de veículos em circulação nas ruas da cidade, em direções diversas. “Com uma frota de quase 500 mil carros e um incremento mensal de 3,5 mil novos veículos, a cidade está travada e motoristas enfrentam problemas já na saída de casa”, observa o texto a que nos referimos, destacando ainda a reportagem, em outro bloco: “No Recife acontecem, em média, 30 acidentes por dia. Se a via já não estiver engarrafada, basta uma colisão, por mais simples que seja, para o congestionamento começar”.

Diante desse quadro, o ideal seria que os recifenses recorressem, em número cada vez maior, ao transporte coletivo, deixando em casa os seus automóveis, a exemplo do que acontece em muitas e muitas cidades do mundo. Jovem administrador de empresa, ouvido pelo jornal, proporcionou uma síntese muito sugestiva do problema, quando destacou a falta de conforto, entre outras falhas do atual sistema de transporte urbano que serve ao Recife e arredores. Tal deficiência, em última análise, não permite que muitos recifenses, e certamente é considerável o número dessas pessoas, guardem os seus carros e se desloquem, de ônibus, para o trabalho ou para outros afazeres. Impõe-se, portanto, a melhora da qualidade do nosso sistema de transporte rodoviário, para que se possa tirar das ruas da cidade o maior número possível de veículos de uso individual. O trânsito, sem essa providência, continuará piorando, na medida em que aumenta o volume de carros em circulação. Um ponto importante dessa melhora é, também, a diversificação do atual sistema, a partir do uso intenso de outros tipos de transporte coletivo, no caso do Recife utilizando-se, inclusive, as vias navegáveis que cortam a nossa capital.

Com referência a esse aspecto, anunciou-se, aliás, que a cidade seria contemplada com a implantação do denominado veículo leve sobre trilhos (VLT), preparando-se para acolher jogos do campeonato mundial de futebol, em 2014. O VLT é uma versão modernizada dos saudosos bondes, que já circularam pelo Recife, dando eficiência ao transporte coletivo da época. É hora de se cobrar a efetivação desse projeto, ao mesmo tempo em que a ampliação do metrô deve se constituir matéria prioritária, em termos de planejamento urbano. Sabe-se que o sistema ferroviário de transporte coletivo é a mais indicada alternativa para se conduzir, com eficiência, grandes contingentes, sem comprometer a fluidez do trânsito, embaralhado pela hegemonia da opção rodoviária, alimentada, durante décadas, pelos planejadores que atuam nessa área.

O país tem que pensar mais alto quanto à política de transporte urbano. Chegou o momento de se promover, em volta de uma mesa, o encontro dos melhores cérebros para que possam, juntos, idealizar duas ou mais opções no que se refere ao transporte coletivo. Vale salientar que os problemas desse sistema, na capital pernambucana, não se resolvem sem a presença do trem, meio insubstituível de condução de grandes massas. O lado norte do nosso hemisfério cidadino nunca viu o sinal de trem urbano chamado metrô. Três ou quatro comboios seriam capazes de trazer, quem sabe, mais da metade dos que tenham, morando no setentrião da capital, de trabalhar no lado oposto. Não, para qualquer contingência, colocamos mais ônibus nas ruas a infernizar o bom senso, ferindo, até mesmo, a inteligência de todos nós.



Um comentário

  1. Alessandro disse:

    queria saber que empresa,qual tipo de onibus,ira trafegar em recife em 2014, que tipo de icoterms, se terá incentivo do governo do estado e qual tipo de incentivo.

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