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Greve provoca tumulto e prejuízo

Paralisação realizada por motoristas e cobradores de ônibus mudou a rotina da cidade

De manhã, a ida ao trabalho foi um sufoco, com ônibus de menos e passageiros demais. No Centro, ruas como a da Imperatriz ficaram esvaziadas. Tudo volta ao normal hoje.

NA IDA AO TRABALHO, TRANSTORNO…

Terminais integrados ficaram lotados pela manhã, dificultando a circulação na RMR

Atrasos, correria e transtornos. Bastou que motoristas, fiscais e cobradores de ônibus parassem por 24 horas suas atividades durante a greve de advertência realizada ontem, para que os quase dois milhões de usuários do transporte coletivo sentissem as consequências da paralisação. No início da manhã, vários terminais integrados de passageiros ficaram lotados, tornando difícil a circulação na RMR. Segundo informações do Grande Recife Consórcio de Transporte, às 5h de ontem, a frota de ônibus operada era referente a 60% da frota total, que conta com 2,7 mil veículos. Após às 8h, 80% já estava em circulação, com 2,16 mil veículos, 540 a menos do que o normal. A partir de hoje o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Pernambuco irá acertar o calendário para as próximas negociações com a classe patronal.

A área da RMR mais afetada com a paralisação de ontem foi a Zona Sul, que no início da manhã ficou sem operação nas linhas PE-15/Boa Viagem, PE-15/Joana Bezerra e Joana Bezerra/ Boa Viagem. “Essas linhas sofreram a maior baixa na demanda. A Zona Sul foi bastante afetada porque a empresa responsável pelos maiores números de linhas aderiu em maior número à greve. Mas, ao longo do dia, conseguimos distribuir melhor os veículos para a Zona Sul”, disse o presidente do consórcio, Manoel Marinho. Municípios da área Norte da RMR, como Paulista e Abreu e Lima foram os menos afetados, de acordo com o órgão.

No Terminal do Joana Bezerra, no Coque, milhares de pessoas aguardavam desde cedo a chegada dos ônibus. No local, o fluxo das conduções era lento e os poucos coletivos que chegavam eram logo lotados pelos usuários, que corriam para garantir um lugar. Os que não conseguiram embarcar, tiveram que improvisar na fila de espera, como o auxiliar administrativo Ronaldo Santos, 40. Depois de esperar o ônibus por quase meia-hora, ele aproveitou o atraso para tocar violão. “Peguei um ônibus de Brasília Teimosa para cá. Estou esperando outro para seguir pela avenida Agamenon Magalhães e aproveitei a demora para tocar”, contou.

Já para a empregada doméstica Marines Alaide da Silva, 42, a dificuldade para chegar ao trabalho trouxe dúvidas. “Cheguei às 7h e apenas quatro ônibus passaram. Vou só esperar a minha patroa ligar para saber se volto para casa ou vou para o trabalho”, comentou Marines, que esperava o ônibus com destino a Boa Viagem.

Mas não foi apenas no Recife que os usuários passaram por transtornos. No Terminal Pelópidas Silveira, em Paulista, os passageiros também tiveram problemas no deslocamento. Ainda na manhã de ontem, o Grande Recife destinou equipes de fiscalização para garantir, com o apoio da Polícia Militar, que os motoristas e cobradores que desejassem voltar a trabalhar, pudessem retornar com segurança. Hoje, a circulação dos ônibus volta ao normal.

NEGOCIAÇÕES – Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Pernambuco, Patrício Magalhães, a paralisação foi realizada para chamar atenção dos donos de empresas de ônibus. “Tivemos quatro rodadas de negociações. Na última, eles ofereceram um aumento de 5%, enquanto a categoria queria 22%. Conversamos com o Ministério do Trabalho e com o sindicato patronal para reaver as negociações. A classe patronal aceitou, e, amanhã (hoje), organizaremos o calendário para ver quando serão as próximas negociações”, disse.

A paralisação de ontem foi classificada como indevida pelo presidente da Urbana-PE, que representa as empresas de ônibus, Fernando Bandeira de Melo. Segundo ele, a categoria patronal ainda não foi convocada para as reuniões. “Estamos esperando para sentar e conversar. Mas o reajuste que eles pedem, de dois dígitos, é impossível”, adiantou.

…na volta para o trabalho, mais tranqüilo

Usuários da RMR não tiveram muitos problemas para retornar ontem à noite

Paradas de ônibus e terminais vazios. A correria observada durante o início da manhã de ontem foi o oposto do que pôde ser visto na parte da noite. Os terminais integrados de passageiros e os principais corredores de ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) apresentavam uma menor movimentação, com registro apenas de atrasos no fluxo de veículos. No Terminal de Joana Bezerra, por volta das 18h de ontem, as paradas de ônibus chegaram a ficar vazias em alguns momentos e os que esperavam a chegada do transporte coletivo conseguiam embarcar com mais agilidade do que pela manhã.

“Para voltar está muito mais tranquilo. Cheguei às 5h da manhã na integração de Camaragibe e aqui no terminal (Joana Bezerra) às 7h20, mas só consegui entrar no ônibus depois das 9h. As pessoas começaram a invadir os ônibus que chegavam de manhã e eu também tive que invadir para conseguir chegar ao trabalho. Mas, agora para voltar está mais rápido”, disse a operadora de caixa, Adriana Maria da Silva, de 24 anos.

Para o Grande Recife Consórcio de Trans­porte, já era previsto que a volta para casa fosse mais tranquila devido ao aumento da frota. “Conseguimos operar com 80% da frota e ao longo do dia distribuímos as linhas para atender todas as áreas. Para a noite, a polícia continuou trabalhando para dar mais segurança aos usuários”, disse o presidente Manoel Marinho. O Grande Recife não divulgou o número de pessoas afetadas com a redução de 20% da frota de ônibus.

Durante a noite, as dificuldades para chegar à parte Sul da Região Metropolitana, mesmo reduzidas ainda podiam ser vistas no Terminal de Joana Bezerra. O montador José Evandro Campos de Santos, de 51 anos, passou por transtornos para retornar ao Cabo de Santo Agostinho. “De Afogados eu pegava o ônibus para o Cabo, mas hoje (on­tem) não consegui. Cheguei aqui no terminal (Joana Bezerra) para esperar que um amigo me orientasse para voltar para casa”, contou.

Para a pouca movimentação no terminal, alguns usuários arriscavam palpites para além do aumento da operação da frota. “No hospital onde trabalho algumas pessoas foram liberadas mais cedo. Isso pode ter acontecido em várias empresas e por isso, a movimentação está mais calma”, explicou Josué Antônio de Santana, de 61 anos.

Na avenida Conde da Boa Vista, área Central do Recife, o movimento nas paradas de ônibus também era menor do que o normal. Porém, as queixas quanto ao horário da chegada dos coletivos eram constantes. “Eu já estou há mais de vinte minutos esperando um ônibus quando o tempo normal de espera é de dez minutos”, informou a comerciante Águida Santana, de 50 anos. Apesar do atraso do coletivo, dona Águida ressaltou que comparados à manhã, os problemas foram menores.

Na avenida Guararapes, também no Centro da Cidade, as paradas de ônibus estavam mais vazias do que de costume. E aguardando o transporte coletivo, o encarregado de departamento pessoal, Jadenildo Lapa, de 45 anos, afirmou ter tido sorte no dia de ontem. “Eu não passei por nenhum transtorno por causa da greve. Consegui pegar um ônibus rapidamente em Piedade para a avenida Conde da Boa Vista e estou achando a noite muito tranquila”, ressaltou.

Fluxo do metrô foi intenso, porém sem confusão

Anunciada desde a noite da última terça-feira, a paralisação promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Pernambuco teve consequências no fluxo das estações de Metrô do Recife. A demanda diária de 230 mil usuários sofreu acréscimo entre 10 e 15%, com estimativa de 250 mil pessoas recebidas nas estações. Para evitar os atrasos e possíveis confusões, o Metrorec ajustou os horários dos trens, antecipando a circulação inicial de 14 veículos das 6h para às 5h da manhã de ontem. Na parte da noite, o horário de pico onde os 14 trens também passam a circular foi antecipado das 17h para as 16h, diminuindo os transtornos nas estações.

Na Estação de Joana Bezerra, a cuidadora de idoso Aliana Ramos Ferreira, de 38 anos, disse não ter percebido aumento da movimentação no local. “O movimento geralmente é até maior, hoje, está tranquilo. O único problema que tive foi pela manhã com a demora dos ônibus, mas no Metrô está tranquilo”, disse.

A recepcionista Maria Fiamma Vila Nova, de 19 anos, também não sofreu os efeitos da paralisação. “Eu não tive problemas, não esperei muito nem o ônibus nem o metrô”, contou. A diarista Maria Raimunda Santos, de 46 anos, achou menor a movimentação no metrô. “Para mim hoje (ontem) tem menos pessoas do que o de costume”, comentou.

O gerente de Operações do Metrorec, João Dueire, avaliou positivamente a ação do metrô. “A demanda sofreu um aumento, mas esticamos os horários de pico, onde existe a maior circulação. Nos outros horários, diminuímos de 14 metrôs para 12 ou 10, e não para oito como de costume. Além disso, estendemos a circulação das 20h para às 21h”, informou. Quanto ao horário do intervalo, o gerente informou que não foram registrados acréscimos e a média ficou em aproximadamente cinco minutos.

O único problema do dia foi registrado na Linha Sul, entre as estações de Prazeres e Porta Larga. Quatro vidros do metrô foram quebrados e uma corrente provocou a queda de duas subestações de energia. “A corrente foi jogada para paralisar o sistema, a intenção era paralisar o metrô. Mas temos um sistema seguro e conseguimos restabelecê-lo em dez minutos”, disse Dueire.

Segundo o gerente, hoje será prestada uma queixa na Polícia Civil. “Isso nunca aconteceu no metrô, acreditamos que foi sabotagem e vamos procurar a polícia”, frisou.

Outros transtornos foram registrados

Além dos transtornos causados pela paralisação dos motoristas, fiscais e cobradores de ônibus, outros empecilhos atrapalharam a vida de quem tentava se deslocar na manhã de ontem. No Terminal de Passageiros da PE-15, em Olinda, foi registrado um dos maiores pontos de confusão pela ma­nhã. Às 7h, quando a movimen­tação já era intensa na área, cerca de cinco pessoas blo­quearam a via de acesso do Terminal como forma de protesto.

Cerca de 100 ônibus que estavam preparados para entrar em circulação foram impedidos de deixar o Terminal. Mais tar­de, o acesso foi liberado e o terminal teve o flu­xo normal de veículos. No período da tarde, a Delegacia da Boa Vista registrou um Boletim de Ocorrência referente a ação de algumas pessoas na avenida Conde da Boa Vista.

Fonte: Folha de Pernambuco



Um comentário

  1. diego disse:

    queremos a cobradora rosa de volta para sua linha jd1 extrada de bélem fazemos questão de sua presença

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