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Greve enfraquecida

Mobilização dos motoristas só afetou os usuários no início da manhã. Temporários e funcionários com medo de demissão garantiram 80% da frota ao longo do dia. Responsáveis pelo transporte em Suape devem parar amanhã;

Difícil, só no começo. Quem saiu de casa cedo sofreu. Depois, a tranqüilidade foi retomada. Ministério Público considerou greve precipitada.

MOTORISTA DE ÔNIBUS SEM FORÇA

GREVE Novatos e profissionais com medo de demissão colocaram até 90% da frota na rua. Para o MPT, paralisação foi ilegal e precipitada

A greve de 24 horas dos motoristas e cobradores de ônibus não teve a força que a categoria esperava na Região Metropolitana do Recife. A falta de mobilização dos rodoviários era visível. Na avaliação do Ministério Público do Trabalho (MPT), o movimento foi ilegal e precipitado, enfraquecendo os trabalhadores para futuras manifestações. Nas primeiras horas da manhã, a população sofreu com a ausência de coletivos nas ruas e parecia que a greve engrenaria, prejudicando os 1,8 milhão de passageiros diários. A partir das 8h, no entanto, a paralisação começou a ser furada por motoristas recém-contratados e por funcionários com medo de demissão.

No meio da manhã, 80% da frota já estava na rua. À noite, esse percentual chegou a 90%. Empresários de ônibus e o governo do Estado, gestor do sistema de transporte, ficaram satisfeitos com a demonstração de força. Houve transtornos, mas não como se esperava. Logo cedo, entre as 5h30 e as 8h, muitos passageiros esperaram duas, até três horas por um ônibus. Quem conseguiu entrar num, andou em coletivos superlotados. Mas quem não desistiu, voltando para casa, chegou ao destino.

“A categoria ainda tinha 15 dias de negociação e, mesmo assim, decidiu pela greve. Foi um movimento, no mínimo, precipitado. Ainda bem que não teve sucesso. Foi bom para a cidade e para a população”, avaliou o procurador-geral do Trabalho, Fábio Farias. Pela manhã, ele deu entrada em uma ação pedindo a obrigatoriedade de, ao menos, 50% da frota nas ruas. Ele classificou a paralisação como “ilegal” por não ter cumprido a Lei nº 7.783/89. “Qualquer greve só pode ser deflagrada depois de um aviso com 48 horas de antecedência, como forma de prevenir a população. Não se pode proceder dessa forma”, comentou. O JC tentou contato com a assessoria do Tribunal Regional do Trabalho para saber se o juiz Sérgio Murilo já se pronunciou, mas não obteve retorno até o fechamento da edição, às 21h.

Logo no início da manhã, a operação dos ônibus começou com menos de 60% dos 2,7 mil coletivos que deveriam estar nas ruas. Depois, foi aumentando gradativamente. A partir das 8h, já com 80% da frota, a situação melhorou. Mas antes a população sofreu. Em algumas áreas do Grande Recife, principalmente nos terminais de integração, os passageiros tiveram que disputar espaço para conseguir subir num ônibus. Pessoas chegaram a entrar pelas janelas. A demanda ficou acumulada e levou tempo para ser atendida. O resultado foi que, até por volta das 10h, era possível ver pontos cheios de usuários ainda à espera de coletivos.

“Estou tentando chegar a Boa Viagem há quase duas horas. Desci no Terminal da PE-15 e deveria ir direto para Boa Viagem, pegando o PE-15-Boa Viagem. Mas não tinha ônibus. O jeito foi arriscar até o Terminal de Joana Bezerra para pegar outro e chegar na Zona Sul. Só que estou aqui há 20 minutos e os três coletivos que passaram não davam para entrar”, reclamou a cozinheira Verônica Oliveira, 50 anos.

As regiões mais afetadas foram a Zona Sul do Recife, área da empresa Borborema, uma das que teve maior adesão dos grevistas, e o Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, que tem basicamente uma única empresa operando, a São Judas Tadeu. E os terminais que mais sentiram o impacto da confusão foram os da PE-15 e de Joana Bezerra. A solução encontrada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte foi fazer remanejamento de frotas e empresas, o que terminou descobrindo outras áreas.

No TI da PE-15, foram os passageiros que criaram tumulto. Revoltados com a ausência de ônibus das linhas PE-15-Boa Viagem e PE-15-Joana Bezerra, usuários decidiram fechar o terminal por mais de uma hora. Só com a pressão da Polícia Militar eles dispersaram.

Ontem à tarde, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário, Patrício Magalhães, pediu para marcar mais uma rodada de negociação com os empresários. Apenas hoje, depois que o sindicato patronal receber o comunicado a data da quinta rodada de negociação será agendada.

Fracasso do movimento é comemorado

Os empresários e o governo do Estado comemoraram o fracasso do movimento dos motoristas e cobradores de ônibus. O sentimento era de ter vencido uma importante batalha, pelo terceiro ano consecutivo – em 2009 a greve da categoria fracassou e em 2010 nem começou por falta de mobilização. “Vencemos a greve. A categoria não estava unida. Não houve engajamento dos motoristas. Foi um movimento que nasceu morto”, definiu o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), Fernando Bandeira.

Mais ameno e sem querer entrar no mérito do movimento grevista, o Grande Recife Consórcio de Transporte também vibrou com o fato de ter conseguido manter a operação diária sem grandes transtornos. “Tivemos dificuldades no início da manhã porque muitos motoristas ficaram na dúvida se aderiam ou não à paralisação. Mas logo depois conseguimos lançar 80% da frota nas ruas. É claro que tivemos problemas, principalmente nas linhas com maior demanda. Mas, com o tempo, tudo foi melhorando. À noite, na volta para casa, já estávamos com 90% da frota”, afirmou o presidente do Grande Recife, Manoel Marinho.

Motoristas e cobradores, entretanto, discordaram da derrota. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário, Patrício Magalhães, não entendeu que o movimento foi um fracasso. “Ao contrário. Cumprimos nossa missão. Havia ônibus nas ruas porque colocamos 30% da frota em operação para atender à lei”, afirmou. Questionado se a presença dos coletivos foi provocada pela falta de adesão dos motoristas ou porque as empresas convocaram funcionários do cadastro de reserva, Patrício desconversou. “Teve um pouco dos dois.”

Mesmo com o sentimento de vitória, o presidente do Urbana afirmou estar disposto a retomar a negociação com os rodoviários. “Temos como avançar. Só não sentamos para discutir reajuste de 22%. Esse percentual é inviável. Nenhuma categoria está discutindo aumento de dois dígitos”, avisou.

Candidatos a emprego lotam transportadoras

Mais uma vez, o medo do desemprego ditou as regras na paralisação dos rodoviários e colaborou para frustrar o movimento da categoria. Mesmo sendo uma greve de advertência, com hora certa para acabar, as garagens de algumas empresas de ônibus amanheceram lotadas de candidatos a funções de motorista e cobrador. Muitos viram na greve uma oportunidade de entrar para o quadro de funcionários. Ao mesmo tempo, diversos rodoviários desistiram de aderir ao movimento, temendo perder a vaga.

Algumas empresas de ônibus acionaram os candidatos inscritos no cadastro de reserva ainda na noite de terça-feira e na madrugada de ontem. Com Antônio Mário, 26 anos, foi assim. “A Borborema me ligou às 21h de ontem (terça-feira), oferecendo emprego imediato. Já estava pronto e aceitei na hora”, afirmou o novo motorista. Assim como a maioria dos condutores de coletivos, ele dirigia sem camisa e um pouco assustado. O motorista André Giovani estava na Caxangá há dois meses e nem cogitou a possibilidade de aderir à greve. Foi para a rua trabalhar.

Em algumas garagens, como na Empresa Metropolitana, em Sucupira, Jaboatão dos Guararapes, a quantidade de candidatos a um emprego foi tão grande que atrapalhou o trânsito no entorno. Funcionários da empresa tiveram que ir para a rua orientar a circulação dos veículos. “Quando eu soube que haveria greve corri para cá. Muita gente conseguiu entrar e já está fazendo os testes nos coletivos. Quem for aprovado já vai ficar. É uma chance de trabalho”, afirmou o candidato a cobrador Paulo José da Silva, 40 anos.

Fonte: Jornal do Commercio



2 comentários

  1. juliana disse:

    queria ver se todos os fucionario da Borborema parase de trabalha ele teria coragem de demitir todos os motorista e todos os cobradores e como ele iria buta os ônibus para roda sem motorista e cobradores? passagem aumenta o trabalho deles aumenta e o salario deles diminui i ai ate quando eles vão continua trabalhando e sendo roubado tem vergonhar se querem que todos os motorista e cobrador trabalhe direito dignamente pague certo pague o justo pois quem tem medo e um tremendo de um idiota pois sem motorista e cobrador a em presa não trabalha fali e fali bonitinho que esta escrevendo isso não nem motorista e nem cobradora esim uma passageira que acha um preço da passagem um absurdo e o salario d vcs tambem um absurdo não e justo lutem para que pelo menos o salario de vcs aumentem e não diminuiem deixe de ser besta

  2. Maria disse:

    cara Juliana, tal veis isso aconteça, por que exista o monopólio em perado no sindicato, pois até o presidente da republica só governa 4 anos, desse jeito não dá.

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