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Grande Recife pode virar referência

Governo promete implantar na RMR 52km de corredores exclusivos de ônibus para 265 mil pessoas/dia

Enfim, a Região Metropolitana do Recife se prepara para receber os corredores exclusivos de ônibus nos moldes do BRT, sigla em inglês para Bus Rapid Transit, que na tradução para o português virou Transporte Rápido por Ônibus (TRO). O sistema é semelhante ao que já ocorre com o metrô, onde a passagem é paga antecipadamente e a parada fica no nível da porta de embarque e desembarque. A ideia, que surgiu em Curitiba na década de 1970 e cujo modelo foi implantado em Bogotá há uma década, aterrissa aqui graças às obras estruturadoras para a Copa do Mundo de 2014, mas estava previsto desde o primeiro Plano Diretor de Transporte elaborado em 1972.

Nessa primeira fase, prevista para ser iniciada em 2012, vão ser implantados 52 quilômetros de corredores exclusivos, incluindo o Norte/Sul, Leste/Oeste, o ramal para a Cidade da Copa e o Terminal Integrado de Passageiros Cosme e Damião. O investimento nos equipamentos é de cerca de R$ 476 milhões, dos governos estadual e federal. A meta, no entanto, é alcançar quase 100 km nos próximos três anos com a inclusão do corredor da BR-101, no contorno Recife, e da Avenida Norte. Os dois representam investimentos na ordem de R$ 680 milhões. “Nós estamos aguardando a análise do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para realização das obras no trecho urbano da BR-101. Já a Avenida Norte, depende dos recursos do PAC da Mobilidade”, explicou o secretário das Cidades, Danilo Cabral.

Os dois corredores e mais o ramal da Copa vão transportar por dia cerca de 265 mil passageiros em uma extensão de 52km. Para se ter uma ideia, na cidade de Bogotá, que tem atualmente 84km de corredores, consegue transportar por dia 1,8 milhão de pessoas e 197 mil por hora, nos horários de pico. Os corredores Norte/Sul, Leste/Oeste e Ramal da Copa ligam a capital à Olinda, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Igarassu, Abreu e Lima e Paulista.

No projeto do corredor Norte/Sul, a Avenida Agamenon Magalhães tem um papel de destaque na operacionalização do tráfego. Não por acaso, a via terá um estudo de origem e destino e receberá também quatro viadutos que ajudarão na circulação local. Os elevados serão construídos entre a Ilha do Leite e o Parque Amorim: um na entrada para a Rosa e Silva (do Português/Mac Donald); outro iniciando na Rui Barbosa, em frente ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), e cruzando a Agamenon Magalhães até o Americano Batista; o terceiro do Colégio Contato, na Dom Bosco, até o Hospital da Restauração, e o último saindo da Paissandu e indo até o outro lado da pista.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) vai financiar a pesquisa de origem e destino e a elaboração dos projetos básicos dos quatro viadutos. Foram os empresários do setor que bancaram a elaboração do projeto do corredor Norte/Sul com a contratação do urbanista Jaime Lerner, idealizador do modelo do BRT em Curitiba. “Temos um ganho importante porque há um aumento na velocidade dos ônibus e com isso o número de viagens também aumenta”, ressaltou o presidente do Urbana-PE, Luiz Fernando Bandeira de Mello.

SEI

Ao contrário do que ocorre em Bogotá, uma das vantagens dos corredores locais é que eles já vão nascer fazendo parte do Sistema Estrututal Integrado (SEI). A estimativa é que até 2012 sejam entregues mais 10 terminais totalizando 23. Por causa do SEI, o passageiro pode pagar apenas uma passagem e se deslocar dentro do sistema para qualquer um dos 14 municípios da RMR. Outra diferença é que lá a passagem não tem nenhum tipo de subsídio. Não há diferença de tarifas. Lá, o preço da passagem equivale a noventa centavos de um dólar. Uma das razões para baratear o sistema é a mão de obra local, que não tem uma representação sindical forte.

Central de controle: o cérebro do Transmilênio

O maior segredo da regularidade das viagens do sistema transmilênio não está apenas no modelo exclusivo das vias, mas principalmente na operacionalização do sistema. A central de controle, que funciona no prédio da Secretaria de Educação de Bogotá, conta com um moderno sistema de computação que dá o passo a passo de cada ônibus que se move dentro do sistema. No painel de controle, os ônibus são representados por retângulos e os horários por triângulos. O ideal é que os dois caminhem lado a lado. Há ainda cores que definem as condições das duas unidades geométricas: vermelho para crítico, amarelo para quando há distorção entre os dois, e verde para quando seguem praticamente paralelos. Nenhum dos ônibus do sistema dispõe de câmeras. O que acontece no ônibus é traduzido por códigos. “Se o ônibus para a gente sabe, se ele for mais lento também, e se houver algum assalto o motorista emite um código”, explicou o engenheiro Maurício Sandoval, coordenador da central.

Os 13 operadores ficam com os olhos no computador. Cada um é responsável pelo monitoramento de 100 ônibus. “Mesmo se acontecer de o operador não perceber uma distorção, o painel fica exposto para toda a central e os supervisores também acompanham”. O principal instrumento de comunicação da central é o rádio, ligado aos motoristas dos ônibus, aos fiscais que ficam nos terminais, às estações e à polícia. Na  sede da central há três policiais que trabalham no monitoramento e chamam reforço caso seja preciso. “Nós temos 330 câmeras espalhadas nas estações e terminais. Se for detectado algum tipo de violência, a polícia é acionada. Às vezes alguém passa mal e a gente faz o socorro, sem causar impacto ao sistema”, afirmou Sandoval.

Mesmo com todo o monitoramento, manter os ônibus nos horários é uma tarefa árdua. “Se a estação estiver cheia e os passageiros demorarem a entrar, ou se o motorista acelerar ou reduzir muito os atrasos acontecem. Qualquer mudança causa um efeito dominó e a central precisa readequar os movimentos a todo instante.

Ônibus em vias exclusivas não é garantia de velocidade, pelo menos quando elas são bloqueadas por algum tipo de acidente ou protesto. É ai que entra o plano B. “Nós temos um planejamento para as mais diversas situações. Em caso de bloqueio da pista, o ônibus poderá sair da faixa exclusiva e fazer um retorno por vias laterais. Ou então a gente aciona outro ônibus que não se encontra no corredor para fazer o socorro até a polícia desobstruir a via. O sistema não pode parar”, afirmou.

Versão local

O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano vai contar com um Centro de Controle e Operações (CCO), que ficará localizada na própria sede. O centro terá painéis de LCD para o acompanhamento das operações. Os equipamentos vão mostrar em tempo real o embarque e desembarque das linhas. As informações também poderão ser acessadas pelo celular. Os usuários terão ainda acesso a um portal de voz e um site na internet com informações das linhas e os percursos.
O centro receberá as informações pelo GPS instalado em toda a frota. “Atualmente 90% da frota tem GPS e até o fim do ano teremos 100% equipados”, afirmou Danilo Cabral. O CCO vai contar com 20 operadores internos e 55 fiscais de frota e vistoria nas ruas e pontos estratégicos. Para reforçar o quadro, o governo convocou 15 novos fiscais , sendo 14 de linha e um de vistoria, classificados no último concurso, realizado em setembro do ano passado. “O Grande Recife ficará equipado para fazer esse trabalho, uma vez que os corredores são intermunicipais”, explicou o secretário.

Fonte: Diario de Pernambuco – Caderno Vida Urbana