Pular a navegação e ir direto para o conteúdo




Blog > Blog do Instituto > Eles deixaram o carro

Eles deixaram o carro

Na última quarta-feira, o mundo celebrou o Dia Mundial Sem Carro. Você também? Bem, dois leitores do nosso blog fizeram a parte deles e experimentaram deixar o carro na garagem por um dia. Eles saíram de casa preparados. Munidos de câmeras fotográficas, podômetro (aparelho que mede os passos) e uma mochila, o casal Cláudia Holder e Márcio Moura registrou tudo o que encontrou para dividir os desafios e as sensações conosco. Eles também criaram um blog, o Um dia sem carro (veja o caminho no blog de meio ambiente). Abaixo conheça um pouco deles e acompanhe o dia sem carro. Quem sabe você não se anima? Achei a iniciativa encantadora e, mais ainda, estimulante.

Quem são? // Os dois são servidores públicos e têm um carro só, o que já não é muito comum entre a classe média de hoje em dia. Eles dizem que gostariam mesmo de contar com ciclovias e um bom sistema de transporte público para não precisar nem desse único veículo. Isso porque eles defendem que os carros geram engarrafamentos, poluição e barulho. Mas, como ainda não é possível deixá-lo de lado, resolveram aderir ao Dia Mundial Sem Carro como uma experiência social. Normalmente, Márcio deixa Cláudia no trabalho ou no curso e vai de carro até o trabalho.

 

Preparação // Eles optaram por usar o ônibus e deixar as bicicletas apenas para o passeio noturno em comemoração à data, pois não confiam no trânsito da cidade. A decisão começou pela procura das linhas de ônibus que poderiam usar. Um dos sites pesquisados foi o do Consórcio Grande Recife, que forneceu os itinerários de cada linha. O casal achou o serviço suficiente para o que precisavam, mas comentou que ainda falta muito para se comparar, por exemplo, com o Transport For London (o serviço de Londres). No blog, encontre o caminho também para esses sites.

 

Primeiro trajeto // Cláudia e Márcio saíram de casa às 7h03 e encontraram a primeira dificuldade ainda na porta de casa. A rua estava parecendo uma trincheira de guerra (está assim há 4 meses, disseram). No resto do percurso até a Avenida Caxangá, encontraram a péssima qualidade das calçadas. Na parada de ônibus, conseguiram ainda fotografar uma irregularidade comum: carros e motos circulando na faixa exclusiva de ônibus. E, detalhe, até lá – foram 1.200 passos – não encontraram um lixeiro para jogar o saco onde estava o sanduíche que comeram no caminho.

 

Nos ônibus // O primeiro ônibus chegou logo, mas estava lotado. Em menos de 10 minutos, outro passou e o casal entrou. Mas ficou em pé durante quase todo o percurso. Cláudia desceu no curso e, depois, seguiu para o trabalho em outro coletivo. Dessa vez, a experiência foi mais agradável. Apesar de precisar pegar dica das paradas com uma vendedora de água, o trajeto até o trabalho foi rápido e considerado o mais agradável do dia: “Achei muito legal poder ir olhando o centro da cidade”. O segundo ônibus de Márcio também chegou logo e estava mais vazio. Ele foi o único em pé. À noite, o casal se reencontrou no Pina para participar do passeio ciclístico que acabou Às 23h. Dessa vez, eles pegaram uma carona pois as paradas já estavam desertas.

Avaliação // No fim do dia, o casal achou a experiência de um dia sem carro agradável. Eles concluíram que andar de carro com ar condicionado, claro, é agradável. Mas priva as pessoas de sentir a cidade e interagir com os outros. Eles sabem, e puderam constatar, que ainda há muito o que melhorar no sistema de transporte público. No entanto, também comprovaram que andar de ônibus pode ser interessante dependendo de onde se mora, para onde quer ir e do horário. Apesar da experiência ter sido positiva, o carro deles não ficará na garagem para sempre nem será vendido. Mas eles garantem que passarão a andar mais de ônibus. Que tal começar também?

Fonte: Diario de Pernambuco – Blog de Júlia Kacowicz (Vida Urbana)



Deixe um comentário