Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Blog > * Destaque da home 512x250 * > Como se locomover pela cidade usando metrô, ônibus e uma bicicleta dobrável

Como se locomover pela cidade usando metrô, ônibus e uma bicicleta dobrável

O que fazer quando é preciso, além de pedalar, usar o metrô ou o ônibus? Experimentamos tudo isso com uma dobrável

As pessoas observam curiosas e tentam decifrar o trambolho com rodas que transporto a tiracolo: uma bicicleta dobrável. Prática, esse tipo de bike pode ser embarcado, dobrado, em diferentes meios de transporte. Com algum esforço, porta-se esta pequena magrela “aro 20″, de pouco menos de 15 kg, em automóveis, ônibus, trens e até vans. Aliás, o ato de usá-la juntamente com outros meios de transporte chama-se comutação. E isso, muitas vezes, é essencial para conseguir transpor longas distâncias, como 20 ou 30 km – nem todo mundo mora a menos de 10 km do trabalho, certo? Daí a necessidade de as estações de metrô permitirem o ir e vir das bikes. No metrô de São Paulo, por exemplo, a dobrável é bem-vinda nos trens em qualquer horário, desde que esteja embalada ou não ultrapasse a medida de 150 x 60 x 30 cm.

Um vídeo bem bacana produzido pela rede de ciclistas Ciudad Ciclista – e divulgado no blog do grupo – mostra o que é a comutação. Ele foi gravado em Gênova, Itália, e acompanha um dia de transporte na vida de um homem. Ele sai de casa, de terno, capacete e uma dobrável embaixo do braço. Monta o acessório e pedala um trecho e, depois, utiliza vários meios de transporte: trem, metrô, ônibus. Escadas rolantes vazias e ônibus com muitos assentos desocupados facilitam a vida desse trabalhador. Mas, de qualquer forma, o vídeo traz ótimas lições da melhor maneira para posicionar a bicicleta nos vários meios e como a rotina pode se tornar mais fácil e até mesmo mais divertida – é delicioso perceber o vento soprando em seu rosto enquanto pedala – quando existe a comutação.

AS DIFICULDADES NO CAMINHO

A MANEIRA CORRETA DE LEVAR A BIKE

Estou no principal entroncamento do Metropolitano de São Paulo, a estação Sé. Transporto a bicicleta amarrada a um carrinho de mão também dobrável para facilitar as baldeações. Dentro do vagão, deixo-o paralelo ao comboio para evitar que caia a cada chacoalhada. Nas demais instalações, levo a bike como se estivesse puxando uma mala, o que me permite caminhar com mais facilidade e subir as escadas rolantes sem fazer força. Usar uma dobrável significa depender dos acessos destinados a ‘cadeirantes’. Ao menos quando eles existem, o que não é o caso de muitas estações da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Passar pela catraca é desconfortável e a melhor alternativa é utilizar a porta para cadeiras de rodas. Em horários de maior movimento, a melhor opção é procurar os vagões destinados ao chamado ‘embarque preferencial’, para prevenir choques indesejados ao entrar e sair do trem.

A ROTINA DE PEDALAR PELAS RUAS

Desembarco na estação Conceição e, sob a marquise do terminal de ônibus, inicio a montagem da bicicleta. Vendedores ambulantes apontam dedos em minha direção e cochicham. Retiro a bicicleta do carrinho de mão, desdobro o quadro, estendo o guidão, ergo o selim, baixo os pedais e pronto, como num passe de mágica, surge uma bicicleta. Dobro o carrinho de mão e amarro-o no bagageiro. Agora é só pedalar até o trabalho. A posição para pedalar é confortável, mas estranho a combinação ‘calça jeans e sapato com capacete e luvas meio dedo’. Pedalo por uma avenida de movimento médio. Trata-se de um pequeno aclive e, por isso, devo tomar cuidado com os ônibus, que tendem a me espremer contra o meio-fio. Já precisei subir na calçada para evitar um acidente. A bike dobrável é mais leve, lenta e estreita que as convencionais, o que me permitiria circular entre pedestres com segurança. Mas procuro seguir o que manda a lei, que é utilizar a mesma via dos demais veículos.

E QUANDO NÃO HÁ UM CHUVEIRO

Uma hora e meia após sair de casa, chego ao trabalho com a camiseta levemente umedecida de suor. Sem um chuveiro no escritório, a transpiração representa um desafio. Sigo a recomendação de uma amiga ciclista, adepta do chamado movimento Cycle Chic, que alia pedal e moda. Ela sugere que se tome um banho antes de sair de casa. Funciona! Na empresa, apenas troco de camisa, lavo o rosto e o pescoço. Saídas durante o expediente exigem um planejamento mais cuidadoso.

Uma boa alternativa é pegar um táxi, com a bicicleta no bagageiro. Fiz isso uma vez, e deu certo. Só tive problemas no edifício onde aconteceria a reunião, pois não havia bicicletário. O jeito foi subir com a bicicleta pelo elevador de serviço. A secretária me recebeu bem e acabei deixando a magrela na recepção. Vale saber que, em São Paulo, foi aprovada, no fim de 2012, uma lei municipal que obriga os estacionamentos (de prédios, shoppings e condomínios) a destinarem 5% das vagas para bicicletas.

A CICLOVIA FACILITANDO A VIDA

A última etapa do dia será mais gratificante. Vou pedalar do trabalho até minha casa – pouco mais de 15 quilômetros. Apesar da distância, o percurso mais parece um passeio. O vento no rosto e a cidade passando mais devagar ao redor aguçam a percepção. Fico com uma sensação boa de que ‘estou fazendo minha parte’ para melhorar o trânsito. Mais do que isso, andar de bicicleta permite sentir os cheiros da cidade, ouvir os barulhos e olhar de perto a metrópole sem a moldura da janela do carro. Você consegue perceber uma árvore repleta de frutas ou de flores, o cachorro que passa assustado, as pessoas que se aglomeram freneticamente pelas calçadas. A cidade parece ficar, até mesmo, mais gentil. Chego à parte mais agradável do meu caminho: a recém-finalizada ciclovia que liga a Avenida Brigadeiro Faria Lima ao Parque Villa-Lobos. São 7 quilômetros planos de via exclusiva e sinalizada para bicicletas. Um luxo delicioso.

O SALDO FINAL SEMPRE É POSITIVO

Prossigo mais alguns quilômetros depois do fim da ciclovia. Cansado e ainda sem preparo para encarar a pirambeira que dá acesso à minha casa, decido pegar um ônibus. Paro no ponto, dobro a bicicleta e embarco no coletivo vazio com a mochila nas costas, a bike numa mão e o carrinho na outra. Prendo a ‘bagagem’ com o cinto de segurança para cadeira de rodas e me sento ao lado dela. Passo o bilhete eletrônico e peço para descer pela frente. O cobrador puxa conversa: “Eles não têm mais o que inventar…”. Meu balanço final: usando a bicicleta como meio auxiliar de transporte, tomei chuva e entrei no metrô com a bike dobrada sem necessidade – após as 20h30, qualquer bicicleta entra. Também ganhei massa magra e disposição. Aprendi que podemos transformar problemas em soluções ao usar o tempo ‘perdido’ no deslocamento em oportunidade para dar um basta no sedentarismo. Mais que isso, mudei meu jeito de me relacionar com a cidade.

Fonte: Site Planeta Sustentável